Hoyo Hoyo “Madjonidjones”
A fronteira de Ressano Garcia volta a ganhar um significado especial nesta altura do ano, quando milhares de moçambicanos residentes na África do Sul iniciam a viagem de regresso ao país. Não é apenas um movimento migratório sazonal. É um reencontro carregado de simbolismo, marcado pelo desejo de rever a família, cumprir obrigações sociais e reafirmar laços que a distância nunca conseguiu apagar.
Viaturas ligeiras, como ilustram as imagens, avançam lentamente, muitas delas atreladas e sobrecarregadas, transportando passageiros e uma diversidade de bens. Electrodomésticos, sofás, tambores, sacos de cebola e batata, utensílios domésticos e outros volumes compõem uma paisagem que fala de esforço prolongado, poupança rigorosa e da tentativa de transformar o trabalho árduo em melhorias concretas para quem ficou.
Para além do posto fronteiriço, o fluxo humano prolonga-se pelas estradas nacionais, com particular destaque para a Estrada Nacional Número Quatro, principal eixo de ligação entre Moçambique e a África do Sul. Nesta época, a N4 transforma-se num corredor de regressos, onde se cruzam histórias de sacrifício, esperança e expectativa. O tráfego intenso, aliado ao excesso de carga e ao desgaste físico dos condutores após longas horas de viagem, aumenta a vulnerabilidade ao longo do percurso.
O regresso dos "madjonidjones" expõe também outras realidades menos visíveis. Longas filas de espera, custos adicionais de transporte, receios quanto à segurança dos bens e a pressão psicológica de chegar a tempo aos compromissos familiares. Muitos regressam com sinais claros de sucesso material; outros trazem apenas o essencial, mas todos partilham a mesma vontade de estar presentes junto dos seus.
Neste contexto, a segurança rodoviária assume um papel central. O respeito pelos limites de velocidade nas estradas nacionais, sobretudo na N4, é fundamental para evitar acidentes e perdas humanas. A pressa em chegar não pode sobrepor-se ao valor da vida. Cada viagem deve ser feita com consciência de que o regresso é para celebrar, não para gerar luto entre famílias que aguardam com ansiedade.
Texto & Fotos: Carlos Uqueio
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