quarta-feira, 6 de maio de 2026

                                              LIVRO DE CARLOS UQUEIO

                                              A vida (às vezes) dura narrada

                                               com aversão ao sensacionalismo




Por Lucas Muaga - Jornal Noticias, 24 de Abril de 2026

EM “Repórter de Sombras e Esperanças: a fotografia como testemunho da reportagem”, o fotojornalista Carlos Uqueio reúne imagens e reflexões sobre várias realidades dos moçambicanos, algumas delas duras, mas sempre longe do sensacionalismo que, às vezes, domina o panorama nacional da informação. O nosso colega de redacção, ao invés, incentiva respostas concretas aos desafios do país.

Esta é, pelo menos, a apreciação do jornalista Pretilério Matsinhe, que fez a apresentação da obra na cerimónia de lançamento havida quarta-feira no auditório do BCI, em Maputo. Segundo Matsinhe, o livro é composto por imagens que retratam momentos marcantes da história recente de Moçambique através de um olhar crítico, humano e responsável. Ou seja, vai além de um simples registo visual, constituindo-se como um apelo à consciência colectiva.

“Este livro não é apenas um arquivo de imagens, mas um convite à reflexão sobre a responsabilidade que temos enquanto cidadãos e jornalistas”, afirmou.

Segundo o apresentador, a relevância da obra assenta em quatro dimensões essenciais, designadamente o alerta para a acção colectiva face às mudanças climáticas; abordagem sensível às questões da pobreza e do consumo de drogas; valorização da identidade e diversidade cultural moçambicana; e reflexão sobre o papel do jornalismo num contexto de rápidas transformações tecnológicas e sociais.

“Vimos muitas vezes as cidades inundadas, bairros urbanos e suburbanos debaixo das águas e a nossa perplexidade reside no facto de não encontrarmos uma solução para um problema que é recorrente. E Uqueio ao fotografar, como ele próprio escreve, não com a intenção de explorar a dor, mas registar, também nos pede, a todos, esta consciência sobre estes fenómenos”, explicou.

Carlos Uqueio explicou que o seu primeiro livro resulta de 18 anos de trabalho no terreno (que correspondem à sua carreira), marcados por experiências intensas e contacto directo com diferentes realidades de Moçambique e não só.

“Fotografar não é apenas captar imagens, é assumir responsabilidade. Este livro nasce das ruas, dos bairros, dos momentos em que a vida acontece sem aviso e sem encenação”, afirmou.

Para o autor, “Repórter de Sombras e Esperanças” é uma publicação que procura equilibrar a exposição da dor com a dignidade e a esperança das pessoas retratadas.

Uqueio salienta ainda que o projecto representa um momento de maturidade e reflexão sobre o seu percurso, destacando o compromisso de contar histórias com respeito e profundidade.

“O que diferencia esta obra é precisamente esse carácter de testemunho. Não se trata apenas de imagens bem captadas, mas de um percurso longo no terreno, a documentar realidades diversas do nosso país. O livro cruza fotografia e escrita para oferecer não só o olhar, mas também o contexto. E isso transforma-o num registo mais completo da nossa realidade”, disse o fotojornalista.

 

 


 

                                         Carlos Uqueio lança livro

                                          de sombras e esperanças 


Jornal Noticias - 22 de Abril de 2026

O FOTOJORNALISTA moçambicano, Carlos Uqueio, lança hoje, no Auditório do BCI, na cidade de Maputo, o livro “Repórter de Sombras e Esperanças: a Fotografia como Testemunho de Reportagem”.

A obra, a ser apresentada pelo jornalista Pretilério Matsinhe, aborda a carreira de Uqueio,  repórter fotográfico da Sociedade do Notícias (SN), que teve o privilégio de fazer registos de momentos marcantes da história recente do país.

O livro inclui registos fotográficos, acompanhados de textos, sobre questões ligadas às mudanças climáticas em Moçambique, sobretudo fenómenos naturais como Idai e Kenneth, assim como outros que têm assolado o país nos últimos anos. Encontram-se também sobre a ética fotojornalística, registos de diversas realidades do país, do Norte ao Sul, assim como dos 20 países por onde já passou.

Embora tenha formação em Química Analítica pelo Instituto Industrial e Comercial da Matola, foi no fotojornalismo que encontrou a sua verdadeira identidade profissional. Formou-se também como professor de Inglês no Instituto de Formação de Professores da Matola e possui formação em Administração Pública e Autárquica, reunindo um percurso académico e profissional multifacetado.

Em 2023, foi distinguido com o Prémio de Jornalismo CDM, na categoria de Fotografia, reconhecimento que reforça o seu contributo para o jornalismo visual e documental em Moçambique.

 


 

                                                  Livro aborda

                                           reportagem fotográfica


Por: Nagel Mungoi, Jornal Noticias - 20 de Abril de 2026

“REPÓRTER de Sombras e Esperanças: a Fotografia como Testemunho de Reportagem” é o título do livro do fotojornalista Carlos Uqueio, a ser apresentada nos próximos dias na cidade de Maputo.

A obra inclui registos fotográficos, acompanhados de textos, sobre questões ligadas às mudanças climáticas em Moçambique, sobretudo fenómenos naturais como Idai e Kenneth, assim como outros que tem assolado o país nos últimos anos.

Uqueio, que é repórter fotográfico da Sociedade do Notícias (SN), aborda a sua experiência nessa profissão, marcado por registo de momentos negros da história do país, mas também aqueles que renovam a esperança de dias melhores.

“Nos tempos dos ciclones estive lá como profissional e no meio de todas as adversidades que foram assolando o povo moçambicano ao longo deste percurso, eu encontrava pessoas que no meio das dificuldades conseguiam sorrir. Crianças esfomeadas, crianças mal-nutridas, mas mesmo assim no meio dessa escuridão, dessa sombra toda, conseguiam brincar e sentirem-se felizes, por isso a ideia de repórter de sombras e esperanças”, destacou.

O livro surge na sequência de ter sido procurado por alguns estudantes há três, quatro anos atrás, que procuravam fazer um trabalho científico sobre fotografia, por ser uma personalidade com experiência de cerca de 20 anos.

“Uma das questões que eu fiz a um dos estudantes que me entrevistou foi por que não procuram referências ou informação nas bibliotecas, assim como na internet, e a resposta foi de encontrarem apenas referências externas. Então o livro serve como um registo textual e fotográfico a ser consultado em contextos de pesquisa”, destacou.

Na obra encontram-se também sobre a ética fotojornalística, registos de diversas realidades do país, do norte ao sul, assim como dos 20 países onde já passou ao longo da sua carreira.

Carlos Uqueio é fotojornalista moçambicano, com 18 anos de experiência na cobertura de acontecimentos sociais, políticos, institucionais e humanitários em Moçambique e no estrangeiro.

Embora tenha formação em Química Analítica pelo Instituto Industrial e Comercial da Matola, foi no fotojornalismo que encontrou a sua verdadeira identidade profissional. Formou-se também como professor de Inglês no Instituto de Formação de Professores da Matola e possui formação em Administração Pública e Autárquica, reunindo um percurso académico e profissional multifacetado.

Em 2023, foi distinguido com o Prémio de Jornalismo CDM, na categoria de Fotografia, reconhecimento que reforça o seu contributo para o jornalismo visual e documental em Moçambique.

 


 

 


                            CARLOS UQUEIO:

                 “O repórter de sombras e esperança 


Por: MARIA DE LURDES COSSA, Jornal domingo - 19 de Abril de 2026

Formou-se em Química Analítica no Instituto Industrial e Comercial da Matola, mas é na fotografia que encontrou a sua paixão e decidiu assentar. Hoje, com 18 anos de estrada, Carlos Uqueio partilha, em livro - Repórter de Sombras e Esperança: A fotografia como testemunho da reportagem - memórias, sensibilidades, alegrias e tristezas, próprias e dos outros, captadas durante este percurso.

A ser lançado na quarta-feira, dia 22, na sede do BCI, na cidade de Maputo, o livro tem 108 páginas e é prefaciado pelo antigo Primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário.

Em conversa com domingo, jornal onde se “afiou e vem sagrando-se uma grande referência, Uqueio diz pretender, entre outras, propor uma reflexão sobre as mudanças climáticas, que vieram para ficar, e os seus efeitos.

Tal sugestão, pode-se ver no primeiro capítulo do livro em que nos conduz, com fotos e texto, ao ciclone Idai que devastou o centro de Moçambique, em 2019. Enquanto fotojornalista, Uqueio acompanhou de perto o fenómeno, fotografou e eternizou, através da sua lente, o caos que se instalou, subitamente, na cidade da Beira. 

Depois, em fotografia e em texto, leva-nos ao ciclone Kenneth, que passou do Norte de Moçambique. O cenário é dramático: estradas cortadas, rios que galgavam os passeios, destruíam  e “engoliam” tudo o que podiam. Captou, entre lama e incerteza, olhares cansados, mãos solidárias e estruturas caídas.

Foi preciso sensibilidade, respeito e firmeza para registar estes momentos”, conta o fotojornalista e sublinha: “mas, o mais importante é que mesmo diante de ruínas há sempre algo que resiste: a dignidade de um povo, a força que mesmo diante do caos, não desiste. É na verdade por conta disto que o temos no título do livro Repórter de Sombras e Esperança. Essa força incrível que nós os moçambicanos temos mesmo diante de dificuldades extremas”.  

Dividido em sete capítulos, o livro faz-nos viajar também a um tempo não longínquo, mas tenebroso: o período da pandemia da Covid-19, quando Moçambique e o mundo, em geral, viviam na incerteza. Aquela época em que estar perto do outro parecia uma missão suicida.

Era o tempo dos funerais e casamentos com gente contada aos dedos; da imposição do distanciamento social, lavagem constante das mãos, do encerramento de escolas, igrejas, salas de cinema, bares, discoteca... de um mundo enclausurado, onde a máscara, álcool em gel, recolher obrigatório e as vacinas eram a melhor armadura do Homem.

Uqueio, que chega à fotografia aos 15 anos, pela mão de um vizinho, conduz-nos neste livro também às condições sub-humanas em que vivem os dependentes de droga, numa das bocas de fumo da cidade de Maputo, no mítico bairro da Mafalala, em particular. Com a sua sensibilidade capta as paredes “pinceladas” de humidade, mofo, sujidade e, acima de tudo,vidas que seguem “atadas” a um destino que nenhum ser humano merecia ter.

Esse livro é, na verdade, um retrato de várias histórias que fui registando ao longo desses anos, em vários cantos do país, tendo em conta que como repórter fotográfico o meu principal papel é o de contar histórias”, explica.

Revela, igualmente, que decidiu partilhar estas vivências em livro porque acredita que as histórias devem ser documentadas, afinal: “tudo aquilo que é registado e não é documentado, guardado e depois exposto, perde-se pelo caminho. Não queria isso para a minha obra.

Carlos Uqueio confessa que pretende também que o seu livro seja um resgate da cultura do respeito aos fotojornalistas, que se está a perder. “Apesar da sua importância, o fotojornalismo enfrenta desafios significativos na era digital. A proliferação de smartphones equipados com câmaras de alta qualidade leva qualquer pessoa a capturar e compartilhar imagens instantaneamente. Esta democratização da fotografia levanta questões sobre a necessidade de fotojornalistas profissionais. No entanto, é importante lembrar que a combinação de habilidades técnicas, éticas e narrativas destes profissionais é insubstituível”, observa.

 

RETRATOS E OUTROS QUADRANTES

Em outro capítulo do livro, Uqueio retrata momentos referentes à bravura e sacrifício das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, o detalhe do seu uniforme, a disciplina, ensaios e formas de actuação.

São vários assuntos que abordo em sete capítulos: defesa e soberania; fé, cultura, educação; turismo, enfim... o país todo.

No entanto, Carlos Uqueio não se limita a Moçambique, permitindo-se partilhar as diferentes vivências e realidades que encontrou em mais de  20 países que já teve a oportunidade de escalar.

Do Egipto traz beleza, contrastes e hospitalidades de Sharm El Sheikh, uma cidade situada na península do Sinai. Eterniza ainda a alma dançante da Zâmbia, através de suas três mais emblemáticas danças: makishi, likishi lya mize e kalela. Cada click de Uqueio revela o calor das cores, o eco dos tambores e a emoção de um povo que dança para lembrar a sua identidade. É a Zâmbia que se faz respirar, dançar e falar por meio de cada imagem.

Operador de mara, editor de vídeos, bem como cozinheiro - um gosto que herdou do pai que “era cozinheiro de Marcelino dos Santos quando presidente da Assembleia Popular, actual Assembleia da República” - Uqueio deixa ficar no livro algumas crónicas. Numa delas apela à importância de conhecer as ferramentas tecnológicas e o limite que existe na manipulação das imagens.

A ideia é que este livro seja usado também pelos estudantes, pesquisadores, professores, porque eu tenho aqui as minhas ideias expostas que podem ser aproveitadas sobre o que é um repórter fotográfico.

Jovem multifacetado, Uqueio também se formou como professor de Inglês no Instituto de Formação de Professores da Matola e em Administração Pública e Autárquica.

 


 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

 Meu discurso no lançamento do livro “Repórter de Sombras e de Esperança”


Distintas entidades civis, académicas e institucionais,

Colegas jornalistas,

Familiares e amigos,

Minhas senhoras e meus senhores,todo o protocolo observado

Hoje não apresento apenas um livro. Apresento dezoito anos de estrada, de silêncio, de risco e de compromisso com a realidade.

“Repórter de sombras e esperança” nasce do terreno. Nasce das ruas, dos bairros, dos momentos em que a vida acontece sem aviso e sem encenação. É o resultado de anos a observar, a escutar e a registar histórias que muitas vezes passam despercebidas.

O que diferencia esta obra é precisamente esse carácter de testemunho. Não se trata apenas de imagens bem captadas, mas de um percurso longo no terreno, a documentar realidades diversas do nosso país. O livro cruza fotografia e escrita para oferecer não só o olhar, mas também o contexto. E isso transforma-o num registo mais completo da nossa realidade.

As fotografias que aqui trago não são apenas imagens. São provas. São testemunhos de um país real, com dor, mas também com dignidade. 

Ao longo deste percurso, percebi uma coisa essencial. Fotografar não é apenas captar imagens. É assumir responsabilidade. É escolher o que mostrar e, sobretudo, como mostrar. 

E foi também por isso que decidi lançar este livro agora. Porque senti que havia já um percurso consolidado que merecia ser organizado e partilhado. Dezoito anos não são apenas um arquivo. São também maturidade para interpretar o que foi vivido. Este não é um ponto de chegada, é um momento de reflexão sobre o caminho feito e sobre o papel do fotojornalismo na memória do país.

Ao longo deste caminho, enfrentei momentos difíceis. Situações de vulnerabilidade social, crises humanas, realidades duras. Mas o mais difícil não foi apenas fotografar. Foi garantir que essas histórias fossem contadas com dignidade.

Este não é um livro que apenas aborda dificuldades. Procura ser honesto. Há momentos de dor, de abandono e de desigualdade, mas também há resistência, cultura e esperança. 

Porque mesmo nos contextos mais duros, encontrei sempre sinais de esperança. Vi pessoas a recomeçar do zero. Vi solidariedade onde quase nada existia. Vi crianças a sorrir em cenários improváveis. Isso ensinou-me que a esperança não é um discurso, mas sim,  uma prática diária.

Permitam-me, neste momento, abrir um parêntesis para reconhecer datas que não são apenas simbólicas, mas que dizem muito sobre o país que somos.

No dia 7 de Abril celebrámos a mulher moçambicana. Uma mulher que, muitas vezes em silêncio, sustenta famílias, comunidades e o próprio país. A elas, o meu respeito e reconhecimento.

No dia 11 de Abril assinalámos o dia do jornalista moçambicano. Uma profissão exigente e essencial para a democracia e para a construção da memória colectiva. Aos meus colegas, a minha saudação e respeito.

No dia 15 de Abril, celebrámos os 100 anos do Jornal Notícias. Uma instituição que marcou gerações, onde muitos de nós fomos formados, moldados e desafiados a fazer melhor. É impossível falar da minha trajectória sem reconhecer o papel que esta casa teve na construção do meu olhar e da minha disciplina profissional.

Quero aqui fazer um agradecimento especial aos mestres que dedicaram parte da sua vida para me ensinar o essencial da fotografia, o A+ B desta profissão. Falo do senhor Bernardo Obadias, Inácio Pereira,  Alfredo Mueche, Armando Munguambe ( já falecido) e do professor Basílio , do Centro de Formação Fotográfica. Foram eles que ajudaram a construir a base sobre a qual hoje continuo a trabalhar.

Permitam-me igualmente reconhecer uma dimensão importante do meu percurso profissional.

Ao longo de mais de uma década, tive a oportunidade de trabalhar no Gabinete do Primeiro-Ministro, um espaço que foi e continua sendo para mim, uma verdadeira escola. Ali tendo aprendido a lidar com a exigência, rigor e o peso da imagem institucional com a responsabilidade de documentar momentos de Estado, trabalhando de perto com altas individualidades do Governo.

Nesse contexto, quero expressar o meu reconhecimento aos antigos Primeiros-Ministros, Dr. Carlos Agostinho do Rosário e Dr. Adriano Maleiane, bem como à actual Primeira-Ministra, SEXA Maria Benvinda Levi . Cada um, à sua maneira, marcou etapas distintas deste percurso e contribuiu para o ambiente profissional em que cresci e me desenvolvi.


Permitam-me, igualmente, destacar de forma muito especial o papel do Assessor José Sixpence , cuja orientação e exigência tiveram um impacto decisivo na minha formação, não apenas como fotógrafo institucional, mas também como homem. A sua influência ajudou a moldar o meu sentido de responsabilidade, disciplina e compromisso com a função pública.

Permitam-me agora uma nota pessoal.

Esta obra tem também a marca da minha mãe, que partiu recentemente. Foi ela quem me ensinou valores que hoje levo para o meu trabalho e para a minha vida. A sua ausência é profunda, mas a sua presença continua a orientar-me.

Agradeço também às instituições e personalidades aqui presentes. A vossa presença reforça a ideia de que  fotojornalismo continua a ser fundamental para o desenvolvimento do nosso país.

Mais do que um lançamento, espero que este seja um momento de reflexão sobre o papel da fotografia na sociedade. Se este livro conseguir provocar esse debate, então já terá cumprido o seu propósito.

Obrigado pela presença. Obrigado pela confiança. E obrigado por continuarem a acreditar no poder da imagem como instrumento de consciência.

Muito obrigado.