Trinta minutos de chuva na baixa de Maputo
TRINTA minutos de chuva. Foi o suficiente para a baixa da cidade de Maputo voltar a afundar-se num cenário que muitos já conhecem, mas que continuam a ficar impressionados. Na Avenida 25 de Setembro e nas ruas à sua volta, a água tomou conta do asfalto e dos passeios e transformou uma zona de intenso movimento num rio.
As imagens falam por si. Carros avançam devagar, quase a tactear o caminho, com as rodas mergulhadas na água escura que cobre a estrada. Para quem anda a pé, a experiência é ainda mais dura. Homens e mulheres são obrigados a atravessar ruas inundadas, com água a entrar pelos sapatos, procurando um lugar seguro onde colocar o próximo passo. O simples acto de caminhar transforma-se numa travessia incerta.
Este cenário acontece numa altura em que o município de Maputo está a realizar trabalhos de reabilitação de valas e sistemas de drenagem em vários pontos da cidade. As máquinas estão no terreno, as obras avançam e a intenção é clara. Melhorar o escoamento das águas e reduzir as enchentes que todos os anos afectam esta zona da capital.
Ainda assim, a realidade observada mostra que o desafio é maior do que parecia. Bastaram trinta minutos de chuva para que a baixa voltasse a ficar debaixo de água.
Entre viaturas a avançar com dificuldade e peões obrigados a caminhar dentro da enxurrada, a cidade expõe mais uma vez a fragilidade das suas ruas diante da força das águas da chuva.
E a pergunta permanece. Se meia hora de precipitação é suficiente para transformar avenidas em rios, quanto tempo falta para que Maputo consiga, finalmente, vencer este problema?
Texto e fotos: Carlos Uqueio, publicado no jornal noticias, 14/03/2026
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